terça-feira, 24 de maio de 2016

Os blogs ampliam os horizontes da literatura no ambiente virtual

     Uma menina alegre, comunicativa, de riso fácil, cachos brilhantes, alta para a média da sua idade, gordinha, olhos suaves da cor do mel, brilham ao ver cada palavra, admirando as figuras coloridas e cheias de vida. Tão atentos a cada linha escrita nas páginas dos livros. Ao lado da avó e da mãe, ouvia histórias fascinantes da natureza que enchiam seu coração de felicidade. Colorir desenhos representava dar cor à própria vida.

     Apaixonada pelos livros, sempre foi “uma rata de biblioteca”, ávida em devorar aquele universo encantador e sublime. Cada palavra era imediatamente assimilada por sua mente. Todas as frases sendo sentidas num ritmo veloz e captadas com muito êxtase em seu coração. Ler é quase um ritual religioso, tão profundo, intenso e sagrado.

      Assim nasceu em 2011 o “Garotas e Livros”, uma paixão transformada em profissão. O blog de Danielle Barbosa, de 27 anos, formada em administração na Universidade de Pernambuco, é um exemplo disso. “O desejo de compartilhar ideias e conversar sobre livros com outros leitores foi o meu maior impulso nesse projeto”, conta Danni, como é carinhosamente conhecida pelos familiares e amigos.

      A leitura sempre esteve muito presente na sua vida. Gosta dos mais variados gêneros, como romances, ação, aventura, biografias, suspense e ficção policial. A Biblioteca Pública de Pernambuco está entre os lugares favoritos nos seus passeios. Na sua adolescência, sempre ia ao local depois de largar da escola (Ginásio Pernambucano). Era um ritual diário. Vai a todos os eventos literários, sejam feiras organizadas por autores ou grupos de fãs sobre determinada obra ou autor, incluindo lançamentos de livros pelas editoras, como nas turnês programadas por todo o país, feitas pelas Intrínseca, Record, Seguinte, entre outras. E não para por aí. Ela também é empreendedora, agente literária de venda de e-books de uma amiga, revisora de obras e crítica literária.

      A ideia do nome surgiu, pois, sua irmã; Gabbe Barbosa, compartilha da mesma paixão e também contribui no blog. Atualmente o perfil do Instagram conta com 626 seguidores. Uma coisa que chama bastante atenção é a quantidade do seu acervo pessoal. “Tenho pouco mais de 640 livros, até o momento, e espero que ela continue crescendo”, destaca cheia de entusiasmo.

      Livros não são apenas um papel escrito por uma caneta ou lápis numa folha, livros é um pedaço de vida guardado num cantinho todo especial. Seu valor excede qualquer quantia em dinheiro.

      Rodeado por livros desde a infância e observando atentamente as leituras da mãe e das tias. Dessa maneira que, Marcos Tavares, Biólogo com Mestrado em Meio Ambiente de 26 anos, cresceu fascinado pelas histórias e criou um verdadeiro amor pelos livros. “Leio como quem bebe água”, brinca Marcos, criador do blog Capa e Título existente desde 2011. “Quando terminava de ler, corria para a internet ler alguma resenha. Adorava comentar nos blogs, também dando minha opinião sobre eles e percebia que os meus comentários estavam virando quase uma resenha. Como tinha um blog pessoal na época, pensei: “Por que não criar um literário para expor minhas próprias resenhas? ”. Daí surgiu o Capa e Título.

     Marcos conversou com outros blogueiros, pesquisou e acompanhou alguns blogs de forma mais apurada como o Psychobooks, o Estante da Nine e o Homo Literatus e com isso sentiu vontade de mergulhar nesse universo também. 

     A leitura vai além de um passatempo na vida dele, é a sua fonte de renda. Atualmente ele tem uma empresa de consultoria literária. Também conta com a ajuda de Luke, que é colunista e também gera conteúdo no blog. Atualmente, o perfil do blog no Instagram possui 588 seguidores, que costumam curtir e comentar cheios de êxtases, seja sobre livros recém-lançados, antigos ou uma resenha.

     “Somos os livros que lemos. ” É dessa forma que Winny Fernanda, define sua paixão pelo universo literário. Ela é do Rio Grande do Norte, tem 16 anos, está no  ano do ensino médio e sonha em ser veterinária. Assim como Danny e Marcos, ela desde criança sempre amou ler e pretende ser uma escritora. “Quando era criança, sempre ganhava livros como presentes de aniversário e hoje tenho um acervo difícil de estipular a quantidade. Muitos deles eu repassei ao meu irmão mais novo e hoje ele tem seu próprio acervo literário”, relembra Winny. 

     Winny se inspira bastante Thalita Rebouças e Paula Pimenta, essa última, sua escritora preferida. O gênero favorito é romance. Sempre sonhou em ter o próprio blog e com dedicação, apoio da mãe e de outras blogueiras, conseguiu se deslanchar no ambiente virtual. Daí nasceu em 2015 o blog “Mundo da Winny”.

      Amor pela leitura, trocar ideias, vontade de interagir com outros leitores, conhecer outras culturas, viajar pela imaginação e aprender coisas novas são características comuns a Marcos Tavares, Danielle Barbosa e Winny Fernanda. Idades, personalidades e gostos distintos unidos em prol do mesmo objetivo. O trio faz parte de uma categoria conhecida como blogueiros literários. São pessoas que se dedicam a comentar, analisar e refletir com base nos livros. São as famosas resenhas. Elas podem ser escritas ou faladas. Atualmente, as oportunidades estão gigantescas. As redes sociais cumprem um papel fundamental nisso. Facebook, Twitter, Instagram, Snapchat e Youtube contribuem para divulgar o trabalho delas e difundir a leitura a um número maior de pessoas. Além de ser uma vitrine para conhecer novos autores e divulgar os lançamentos das editoras ao público.

      A Bienal Internacional do Livro é de grande destaque no cenário cultural e literário de Pernambuco e também do Brasil. Este ano chega a XI edição. Outros eventos conhecidos no Estado são a Fliporto (Feira Literária de Pernambuco) que teve sua sexta edição em 2015 e a Fenelivro (Feira Nordestina do Livro) que estreou no final de agosto do ano passado e surge como mais uma oportunidade de divulgação da leitura no estado. De lá para cá, os blogs literários se multiplicaram, o público aumentou e a quantidade de livros está maior e mais forte do que nunca. Feiras menores também ocorrem com bastante frequência em bairros da capital, interior e outras cidades.

     Com o intuito de aproximar ainda mais os blogueiros, reunir os fãs e descobrir novos talentos literários, promover prêmios, promoções e divulgar o trabalho feito por eles mesmos, que surgiu a ideia de promover O Encontro de Blogueiros de Pernambuco durante a Bienal Internacional do Livro, no Centro de Convenções, em Olinda, região metropolitana do Recife. Em 2015, foi realizada a segunda edição do evento. O encontro foi um tremendo sucesso.

     São histórias e pessoas diversas unidas num único ponto em comum: o amor pelos livros e a paixão pelo universo literário. É o poder dos blogs diretamente na vida das pessoas. “Com a leitura expandimos nossos horizontes, viajamos pelo mundo, pela imaginação. A leitura muda a realidade de todos nós que a conhecemos. Por isso, acho que livros são essenciais em nossas vidas”, enfatiza Winny. 





Aventuras do Fanfiction no Universo Literário

     A professora de filosofia Mayara Lima de 28 anos é fã há mais ou menos um ano e meio. Gosta de assistir filmes e séries (sem preferência por gênero específico), ouvir música, sente um prazer peculiar ao assistir animes e ler mangás, uma de suas leituras favoritas. Ela conheceu a fanfiction através do seu perfil pessoal do Twitter no qual seus amigos sempre comentavam sobre esse tipo de história. No começo, não houve interesse. No entanto, o tempo passou e com ele veio acompanhado um despertar de um novo desejo. Num belo dia, já cansada da rotina do trabalho, entediada com as mesmas literaturas, decidiu procurar algo diferente, aquilo que despertasse uma sensação peculiar, mais forte dentro de si mesma, até que foi procurar as fanfics e ficou apaixonada pelo enredo. Hoje é totalmente viciada.

     “As fanfics que geralmente são baseadas em personagens fictícios ou pessoas reais, acabam por expressar nossos desejos, nossos votos, nossas emoções, algo que gostaríamos que fosse real e infelizmente não é. Um final alternativo ou uma ‘vida real’ alternativa. Assim como nos mangás, por exemplo”, comenta sobre as características dos fics.

      “Leio o que me chama atenção. Possuo um gosto particular pelo gênero fantasia e sobrenatural, porém leio de um tudo. Por isso, não tenho problemas em ler fanfic. Como as estórias são curtas, é mais fácil e rápido de ler”, enfatiza. 
  
     Com a estudante de licenciatura em matemática Adriane Gonçalves, de 21 anos, a história se distingue das outras. Ela nunca foi amante da leitura, no sentido literal do termo, no entanto a fanfic cativou seus sentidos de forma poderosa. Foi de tal maneira que hoje não consegue viver sem ele. “Fanfic entrou na minha vida meio que por acidente. Eu pesquisava outra coisa na internet e me deparei com o Nyah e comecei a procurar por aquelas que me interessavam e me apaixonei”, relembra sorridente a descoberta.

     De um modo inesperado o universo dos fics apareceu no seu caminho para não ir embora nunca mais. “Eu conheci o fanfic em 2011 e leio até hoje – já se foram 5 anos sendo fã. Eu amo a Carol Pass, Tamy Black e muitas outras – e claro, há aquelas que amei, O homem dos meus sonhos, A mulher da minha vida, A troca, são alguns deles”, comenta. 

                                            Surgimento do Fanfic

     Quem ama ler boas histórias e curte um enredo recheado de adrenalina, detalhes, drama, ação, suspense, conflitos internos e externos, sexo e uma dose de bom humor, com certeza vai gostar desse gênero. Estamos falando de fanfic. Também conhecido fanfiction ou simplesmente fic. É uma narrativa ficcional escrita e divulgada por fãs em sites, blogs e em outras plataformas virtuais. Podem ser baseados em filmes, séries, quadrinhos ou videogames. Elas são feitas com o objetivo de construírem um universo paralelo ao original, para ampliar o contato com os fãs e a interação entre eles. Nesse tipo de texto não existe nenhum interesse em violar os direitos autorais nem em obter lucros financeiros. É a expressão de um puro amor de fã reunido na criação de outras narrativas inspiradas nos enredos originais e seus personagens fascinantes.

      O fanfiction surgiu muito antes da web. Nos Estados Unidos, apareceram no final da década de 70, com a publicação de histórias em fanzines, um tributo a série Jornada nas estrelas. No Brasil, a escrita e veiculação desse gênero literário só se concretizou depois da adaptação do filme Harry Potter e a Pedra Filosofal.

       Atualmente na internet, há diversos sites e blogs específicos para armazenamento e divulgação dos fanfics. Com o desenvolvimento de ferramentas de publicação de textos mais práticas (como fóruns e blogs) foi criado uma grande área de fanfics interativos, um cruzamento deles com jogos de RPG. Os personagens destes são usualmente originais, seguindo uma história paralela à original, pegando emprestado algumas situações, seus personagens e acompanhando sua cronologia. Cada autor/ jogador controla um personagem e os rumos da narrativa são discutidos entre eles.

      Existem diversos blogs e sites brasileiros como Spirit e Nyah, além de estrangeiros como o Fanfiction.net, Asian FanFics, Animal Spirit e o Spirit FanFics que trabalham dessa forma, inclusive páginas no Facebook que se dedicam a postagem de fics. Muitos sites são separados por categorias: filmes, séries e livros – que são divididos em subcategorias. Há aqueles que contêm crossover (mistura entre histórias), outros leem só finalizadas.  Existem classificações indicativas para cada gênero de fanfic. Tem Roma, adulto, fantasia, drama, suspense. Neles, a pessoa não apenas lê as histórias, mas também tem a oportunidade de escrever. 
    
Retratos de uma escritora nada convencional

       Por outro lado, a estudante de jornalismo Izabelly Albuquerque, com 21 anos de idade, é um exemplo de uma verdadeira amante do fanfic. Ela não é apenas leitora, mas sim uma autêntica escritora. No melhor sentido da palavra. Calma, sempre está com fones de ouvido na maior altura e aproveita qualquer ocasião para escrever, independente do ambiente. O silêncio, a música e a madrugada é o trio ideal para a sua inspiração.

      Ela começou a ler fanfics por volta de 2010 num fórum do Orkut com personagens de um anime japonês (Naruto), mas o fato das autoras terem interrompido a escrito sem concluir, a deixou desinteressada em ler qualquer texto do gênero. Por volta de 2013, no seu último ano do ensino médio, ela se reaproximou das fanfics. Uma colega lhe mostrou o texto que escrevia sobre os mesmos personagens do anime. Izabelly já escrevia, mas não tinha nada publicado, somente alguns esboços manuscritos. A partir desse momento, ela começou a escrever mais seriamente. “O que mais me interessou foi a liberdade dentro do ‘limitado’. Quando você escreve fanfic você tem que entender que é livre para escrever o que quiser”, explica.

      A ideia de escrever surgiu em 2012. Eu acompanhava o anime e adorava alguns personagens específicos (Sasuke e Sakura), mas não gostava muito do rumo que eles estavam tendo. Na época, eu escrevi uma estória que vim a publicar no ano seguinte. Não tinha nada a ver com o enredo, só os personagens. O enredo era totalmente diferente”, relembra. “Mas se não fosse minha colega que me mostrou que escrevia, talvez eu nunca viesse a publicar nada”, conclui.

                            “A leitura suscita um universo esplendoroso”

    Manoel Assis de Rodrigues Borges é natural do Rio Grande do Norte e tem 50 anos de idade. Éle é formado em administração e jornalismo, é servidor público estadual e escritor. Manoel escreve poesias desde a adolescência. 100 folhas de amor é o seu primeiro livro publicado. Nesta entrevista ele conta um pouco mais sobre as suas inspirações na hora de escrever, seus hábitos de leitura, literatura, projetos e educação.

1) Você sempre gostou de ler? Como a leitura entrou na sua vida?

Sim. Foi uma descoberta fantástica e apaixonante. De família pobre, de onze irmãos e morando na zona rural de um pequeno município da região do semiárido nordestino, só fui para a escola aos nove anos de idade. Mas, logo que aprendi a ler, a leitura passou a me encantar. Queria ler tudo... Como não possuía livros, recorria a uma biblioteca (pequena, é verdade) existente na minha cidade de Jardim de Piranhas no Estado do Rio Grande do Norte.

2) Você tem algum gênero literário favorito? E autor, tem preferência por algum?

O lirismo é apaixonante pela subjetividade, por expressar emoções e sensações. Como adoro poesia... Ela é a minha preferência.

3) Quando você começou a escrever poesia? Você costumava frequentar eventos literários como roda de leitura, recital de poesia e contação de histórias?

Por volta dos meus 14 anos. Quando jovem, eu tive pouca oportunidade de participar desse tipo de evento. Não era muito comum a realização deles na minha cidade.

4) Você teve influências familiares em relação à leitura e escrita? Como foi sua infância neste aspecto?

 Meu pai, embora com pouca escolaridade, gostava de recitar cordéis para eu e meus irmãos. Ele sabia de “cor” muitos dos textos. Cresci ouvindo esse tipo literário. Quanto à leitura, não tínhamos condições financeiras para comprar livros. Fui criança moradora da zona rural. Embora pobre, cresci num ambiente livre das muitas mazelas existentes hoje. Só fui ter acesso aos livros quando tinha meus 11 anos. A partir daí, passou a ser meu maior passatempo e lazer. E não deixei mais.

5) Você gostava de ir à escola? Como foi sua relação na infância e adolescência com os estudos?

Sim, sempre fui à escola com muito prazer. Como já comentado, comecei a frequentar a escola aos nove anos de idade. Entretanto, sempre fui um aluno dedicado aos estudos. Era algo prioritário para mim.

6) Você é jornalista e administrador, além  de ser poeta. Essa multi pluralidade de formações te ajudou de alguma maneira a ter uma visão mais ampla sobre a educação?

Com certeza. Como sabemos, a educação vai além da escola. Então, todo conhecimento assimilado nas várias atividades que desenvolvamos, será essencial para adquirirmos uma melhor visão da sociedade, da educação e de nós mesmos. Assim, podemos ser disseminadores de algo melhor.

7) Como surgiu a ideia de publicar o livro “100 folhas de amor”? Como foi o processo até ele ser publicado?

A publicação deste livro era um sonho de adolescente. Quando comecei escrever as primeiras poesias, passei a alimentar a ideia. Mas, os estudos, o trabalho, a família, tudo foi protelando a realização deste sonho. Decidi publicar “100 folhas de amor” há uns dois anos. De lá para cá: foi uma construção: escolha dos textos, da capa, diagramação, contratação da editora para impressão, registro na Biblioteca Nacional. Uma verdadeira maratona. O livro é uma produção independente, ou seja, todo custo da publicação foi pago com recursos próprios. É não é barato publicar um livro no Brasil.

8) Tem planos para publicar outros livros nesse ano? Além de poesia, que outro gênero escreveria?

Sim, pretendo publicar meu segundo livro de poesias até o fim de 2016. Romance regionalista.

 9) Você tem parceria com a blogueira literária Winny Fernanda. Como funciona essa parceria com blogs literários e também com outras editoras?

Também tenho parceria com outros blogs, além do da Winny Fernanda. As redes sociais permitiram que muitos adoradores da leitura tivessem acesso às obras de autores independentes e desconhecidos. Os blogueiros (as) leem esses livros, muitos dos quais nunca chegarão ao “grande mercado”, e retratam suas impressões sobre o que leram. Funciona como uma troca. E todos ganham com a parceria.

10) Quais são suas inspirações na hora de escrever?

Na juventude, escrever era influência de momento, das emoções vivenciadas, das paixões... Hoje escrevo por inspirações “momentâneas”, que surgem “do nada”. Não sou de necessitar de ritual para escrever algo. É bem verdade que, há dias nos quais a inspiração chega mais fortemente que em outros.

11) Como você avalia o nível da educação atualmente no Brasil?

Apesar das boas transformações ocorridas, que representaram um avanço, há muito a ser melhorado. São tantos os vieses a serem fortalecidos para que tenhamos uma educação melhor... A valorização dos profissionais da educação, ampliação das condições de acesso e permanência na escola e a ampliação da qualidade do ensino oferecido são alguns dos desafios, só para citar três deles.

12) Na sua opinião, qual a importância da leitura na educação?

Entendo que a leitura tem a função primordial de despertar e proporcionar conhecimentos elementares para a construção integral da vida do aluno. Assim, ele poderá melhor conviver em sociedade e exercer a cidadania plena. A leitura melhora o aprendizado de cada educando, pois estimula o bom funcionamento da memória, aprimora a capacidade de interpretação, mantendo o raciocínio ativo, além de proporcionar ao leitor um conhecimento amplo e diversificado.

13) Quais os benefícios trazidos pela leitura na vida de uma pessoa?

A leitura é de uma importância extraordinária para todos nós. Gostaria de me prender a somente dois aspectos positivos da leitura: desenvolvimento pessoal e estímulo à criatividade. No primeiro, é a leitura uma atividade que estimula a reflexão sobre os nossos princípios, valores, pensamentos e atitudes. E isso é fator preponderante para nosso crescimento como ser humano. No segundo, a melhor maneira de ser tornar uma pessoa criativa é conhecer o máximo de coisas diferentes possíveis, e os livros estão entre as melhores ferramentas para isso. A leitura suscita um universo esplendoroso.



domingo, 22 de maio de 2016

Doação de Livros: das geladeiras para as mãos dos leitores

    Vontade de ajudar as pessoas a  uma vida melhor. Oferecê-las uma oportunidade de adquirir um aprendizado único e conhecimento para toda a vida. Proporcionar a comunidade onde vive acesso à leitura e dessa forma uma educação de qualidade sem custo nenhum. Tudo isso através de um instrumento simples e revolucionário: os livros.

    Foi com essa vontade e paixão que nasceu o Cotemar Cultural há dois anos no bairro da Mangueira, Zona Norte do Recife. Projeto de doação de livros direcionada a todas as pessoas, sejam homens, mulheres, crianças, adolescentes, adultos ou idosos. São colocadas geladeiras velhas que estavam num ferro velho nas praças e paradas de transporte coletivo. Quem deseja desfrutar da leitura, basta pegar um exemplar de sua preferência. A grande maioria dos livros são didáticos, ou seja, de conteúdo escolar. Tem livros de história, geografia, inglês, português, biologia e física. Há no estoque os de direito e medicina, além de poesias, romances, contos e outros gêneros literários.

    O idealizador dessa iniciativa é o aposentado Luís Carlos Amaral, de 69 anos, mais conhecido como Seu Amaral. "Essa ideia de colocar livros à disposição da população aprendi em Brasília. É uma ação bem-sucedida lá. Uma jovem do lugar passou num concurso público com os livros que pegava nas paradas de ônibus", conta seu Amaral.

    Ele também implementou a ideia na Praça do Rosarinho, na Bomba do Hemetério e na Praça da Encruzilhada. O trabalho dele é tão conhecido que já recebeu uma caminhonete de livros da coordenadora da Escola Motta e Albuquerque, localizada no bairro da Tamarineira, no Recife. Foi divulgado em um jornal do estado e também na agenda cultural da Prefeitura do Recife.

    O público é composto em sua maior parte por crianças e adolescentes que vão em busca dos livros para pesquisar assuntos escolares e como um auxílio nos estudos. Além de receber o material, o aposentado também doa livros para as bibliotecas, como a de Casa Amarela e outras instituições voltadas para esse objetivo.

    Algo bastante curioso é a ferramenta utilizada por ele para guardar os livros. Geladeira. Velhas e pintadas. Na frente da sua casa, ficam armazenadas três delas lotadas de livros. Um terraço da sua residência fica reservado para guardar os livros a serem doados. Os livros estão disponíveis todos os dias da semana, sem exceção. É uma forma bem prática, chamativa e diferente para atrair novos leitores na comunidade onde vive. Mais precisamente, no bairro da Mangabeira, localizado na Zona Norte do Recife.

                                                            Um amor chamado livros

   
    Seu Amaral sempre foi apaixonado por livros desde a infância. Ler é um hábito que o acompanha há bastante tempo. "Fui criado preso, não podia nem brincar de futebol na rua. Minha vingança era ler os gibis", relembra. Filho de um jardineiro, ele conta que o pai sempre trazia livros, revistas e gibis e ele se  aventurava naquelas histórias. Ele também conta que foi alfabetizado pela mãe. O seu passatempo é ler a todo momento.

    Para ele, esse projeto é de fundamental importância para despertar a consciência cidadã das pessoas. "No Brasil temos mais de 37 milhões de analfabetos. Muitos são analfabetos funcionais, ou seja, sabem ler e escrever, mas não sabem interpretar um texto. É algo lamentável. O nível intelectual está muito baixo", desabafa o ex-marinheiro.

    Seu Amaral já teve diversos cursos e trabalhou em várias profissões, de garçom a serralheiro e também na Marinha. Atualmente, é filiado ao Partido Verde e pretende usar retroprojetor para divulgar nas escolas projetos relacionados à conscientização de preservação ambiental. Seu engajamento é tão forte na educação que começou a cursar pedagogia. Ele deseja implantar diversos projetos como Olimpíadas do Conhecimento que tem o intuito de testar o nível e a qualidade educacional dos alunos. Ele também quer cursar letras e filosofia.

    Dessa forma, Seu Amaral nutre a vontade de ajudar os outros a desenvolver amor pela leitura e ter a educação de boa qualidade como marca registrada. Para ele, esses dois elementos são os pilares de uma vida melhor em todos os aspectos da vida. "Na leitura você adquire conhecimento. Educação é uma vestimenta da personalidade da pessoa. Recebe de pai e mãe. É ético. Vem da base doméstica", salienta em relação à importância da leitura e educação.