terça-feira, 24 de maio de 2016

                            “A leitura suscita um universo esplendoroso”

    Manoel Assis de Rodrigues Borges é natural do Rio Grande do Norte e tem 50 anos de idade. Éle é formado em administração e jornalismo, é servidor público estadual e escritor. Manoel escreve poesias desde a adolescência. 100 folhas de amor é o seu primeiro livro publicado. Nesta entrevista ele conta um pouco mais sobre as suas inspirações na hora de escrever, seus hábitos de leitura, literatura, projetos e educação.

1) Você sempre gostou de ler? Como a leitura entrou na sua vida?

Sim. Foi uma descoberta fantástica e apaixonante. De família pobre, de onze irmãos e morando na zona rural de um pequeno município da região do semiárido nordestino, só fui para a escola aos nove anos de idade. Mas, logo que aprendi a ler, a leitura passou a me encantar. Queria ler tudo... Como não possuía livros, recorria a uma biblioteca (pequena, é verdade) existente na minha cidade de Jardim de Piranhas no Estado do Rio Grande do Norte.

2) Você tem algum gênero literário favorito? E autor, tem preferência por algum?

O lirismo é apaixonante pela subjetividade, por expressar emoções e sensações. Como adoro poesia... Ela é a minha preferência.

3) Quando você começou a escrever poesia? Você costumava frequentar eventos literários como roda de leitura, recital de poesia e contação de histórias?

Por volta dos meus 14 anos. Quando jovem, eu tive pouca oportunidade de participar desse tipo de evento. Não era muito comum a realização deles na minha cidade.

4) Você teve influências familiares em relação à leitura e escrita? Como foi sua infância neste aspecto?

 Meu pai, embora com pouca escolaridade, gostava de recitar cordéis para eu e meus irmãos. Ele sabia de “cor” muitos dos textos. Cresci ouvindo esse tipo literário. Quanto à leitura, não tínhamos condições financeiras para comprar livros. Fui criança moradora da zona rural. Embora pobre, cresci num ambiente livre das muitas mazelas existentes hoje. Só fui ter acesso aos livros quando tinha meus 11 anos. A partir daí, passou a ser meu maior passatempo e lazer. E não deixei mais.

5) Você gostava de ir à escola? Como foi sua relação na infância e adolescência com os estudos?

Sim, sempre fui à escola com muito prazer. Como já comentado, comecei a frequentar a escola aos nove anos de idade. Entretanto, sempre fui um aluno dedicado aos estudos. Era algo prioritário para mim.

6) Você é jornalista e administrador, além  de ser poeta. Essa multi pluralidade de formações te ajudou de alguma maneira a ter uma visão mais ampla sobre a educação?

Com certeza. Como sabemos, a educação vai além da escola. Então, todo conhecimento assimilado nas várias atividades que desenvolvamos, será essencial para adquirirmos uma melhor visão da sociedade, da educação e de nós mesmos. Assim, podemos ser disseminadores de algo melhor.

7) Como surgiu a ideia de publicar o livro “100 folhas de amor”? Como foi o processo até ele ser publicado?

A publicação deste livro era um sonho de adolescente. Quando comecei escrever as primeiras poesias, passei a alimentar a ideia. Mas, os estudos, o trabalho, a família, tudo foi protelando a realização deste sonho. Decidi publicar “100 folhas de amor” há uns dois anos. De lá para cá: foi uma construção: escolha dos textos, da capa, diagramação, contratação da editora para impressão, registro na Biblioteca Nacional. Uma verdadeira maratona. O livro é uma produção independente, ou seja, todo custo da publicação foi pago com recursos próprios. É não é barato publicar um livro no Brasil.

8) Tem planos para publicar outros livros nesse ano? Além de poesia, que outro gênero escreveria?

Sim, pretendo publicar meu segundo livro de poesias até o fim de 2016. Romance regionalista.

 9) Você tem parceria com a blogueira literária Winny Fernanda. Como funciona essa parceria com blogs literários e também com outras editoras?

Também tenho parceria com outros blogs, além do da Winny Fernanda. As redes sociais permitiram que muitos adoradores da leitura tivessem acesso às obras de autores independentes e desconhecidos. Os blogueiros (as) leem esses livros, muitos dos quais nunca chegarão ao “grande mercado”, e retratam suas impressões sobre o que leram. Funciona como uma troca. E todos ganham com a parceria.

10) Quais são suas inspirações na hora de escrever?

Na juventude, escrever era influência de momento, das emoções vivenciadas, das paixões... Hoje escrevo por inspirações “momentâneas”, que surgem “do nada”. Não sou de necessitar de ritual para escrever algo. É bem verdade que, há dias nos quais a inspiração chega mais fortemente que em outros.

11) Como você avalia o nível da educação atualmente no Brasil?

Apesar das boas transformações ocorridas, que representaram um avanço, há muito a ser melhorado. São tantos os vieses a serem fortalecidos para que tenhamos uma educação melhor... A valorização dos profissionais da educação, ampliação das condições de acesso e permanência na escola e a ampliação da qualidade do ensino oferecido são alguns dos desafios, só para citar três deles.

12) Na sua opinião, qual a importância da leitura na educação?

Entendo que a leitura tem a função primordial de despertar e proporcionar conhecimentos elementares para a construção integral da vida do aluno. Assim, ele poderá melhor conviver em sociedade e exercer a cidadania plena. A leitura melhora o aprendizado de cada educando, pois estimula o bom funcionamento da memória, aprimora a capacidade de interpretação, mantendo o raciocínio ativo, além de proporcionar ao leitor um conhecimento amplo e diversificado.

13) Quais os benefícios trazidos pela leitura na vida de uma pessoa?

A leitura é de uma importância extraordinária para todos nós. Gostaria de me prender a somente dois aspectos positivos da leitura: desenvolvimento pessoal e estímulo à criatividade. No primeiro, é a leitura uma atividade que estimula a reflexão sobre os nossos princípios, valores, pensamentos e atitudes. E isso é fator preponderante para nosso crescimento como ser humano. No segundo, a melhor maneira de ser tornar uma pessoa criativa é conhecer o máximo de coisas diferentes possíveis, e os livros estão entre as melhores ferramentas para isso. A leitura suscita um universo esplendoroso.



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